Uma questão de tempo… e ética…

2-outubro-2008

Notícia divulgada na Folha de São Paulo de 12/09/2008 [1], demonstra mais uma vez que era apenas uma questão de tempo… e de ética…

Cientistas do Hospital Universitário Ziekenhuis de Bruxelas dizem ter conseguido extrair células-tronco embrionárias sem destruir o embrião.

Parabéns para estes cientistas! Provou-se que se pode realizar pesquisas sérias com células tronco e manter a ética, sem a necessidade de descartar vidas.

Impressionou-me também o teor do comunidado emitido pelo hospital onde a pesquisa foi realizada:

Este progresso pode ter conseqüências positivas para países onde, por razões éticas, extrair células-tronco esteja proibido. [Grifo nosso]

É interessante meditarmos um pouco a respeito do que foi dito, especialmente no trecho grifado.

Notas e Referências

[1] – EFE. Hospital belga diz ter extraído células-tronco sem danificar embriões. Folha de São Paulo, 12/09/2008. Acessado em 02/10/2008.

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Fé na ciência

3-junho-2008

Existem cientistas ateus que se apresentam como porta-vozes da ciência, talvez por acreditarem que por serem materialistas a forma com que pensam o mundo é mais adequada a prática da ciência.

Um exemplo é a identificação, em 2007, de um suposto gene da espiritualidade. Como chegaram a esta conclusão? Através da descoberta de que há cerca de 40 mil anos atrás começamos a enterrar os nossos mortos com oferendas e comida. Ou seja, isto ocorreu, segundo estes cientistas, devido a evolução dos genes humanos, apenas isto. A partir daí a religião teria iniciado. As emoções do ser humano estariam resumidas a uma questão de DNA.

O hilário disso tudo é que uma ameba possui 200 vezes mais genes do que nós, pródigos humanos. Mas não adianta achar que quem tem menos é mais eficiente, pois uma mosca tem a metade do número de genes de um humano. Ou seja, a quantidade de genes não diz nada.

Jamais se conseguiu comprovar cientificamente o materialismo. Isto ocorre pois o paradigma materialista, igual a qualquer outro, nasce do mundo das idéias, no subjetivo de cada um. Percebemos um paradigma como verdade se vivemos em sintonia com esta realidade.

Por isso, mais importante do que tentar impor um paradigma é aprendermos a viver em um mundo de diversidades, onde a única certeza é de que o verdadeiro aprendizado não está na descoberta, mas no caminho moral e ético que percorremos para alcança-la.

Referências

  • REVISTA UNIVERSO ESPÍRITA. Editorial. 2007. N°39, ano 4.
  • FIORANVANTI, Carlos; PIVETTA, Marcos. Golpe no orgulho vão. Pesquisa FAPESP Online, 2001. N°62.

Embriões: uma questão de ética e não de religião ou ciência

2-junho-2008

No processo de legalização “plena” do uso de células para a pesquisa científica, foi comum a mídia associar que estava em campo uma disputa entre a religião e a ciência, entre a fé e a razão.

A mídia fugiu de um cenário ponderado e equilibrado e situou-se nos extremos. Mostrou de um lado religiosos fanáticos e do outro seres humanos com algum tipo de paralisia clamando pela esperança sofrida de um dia retornarem os movimentos de algum membro do corpo.

Falou-se muito pouco da ética e moral, da quantidade de embriões necessários para uma inseminação artificial, se de fato as células representam a possibilidade de cura para as mazelas humanas e de quando – de fato – a vida de um ser humano inicia. Tudo isso justificado por um suposto atraso científico que poderia arruinar o Brasil. Como se não houvessem outros tantos atrasos que constantemente nos assolam.

Pois bem, mas o que realmente chamou a minha atenção foi esta “cruzada” da mídia em torno do tema. Colocando a fé de um lado do ringue e a ciência do outro.

O dicionário Priberam define fé como (link):

do Lat. fide, confiança

s. f.,
crença religiosa;
crença, convicção em alguém ou alguma coisa;
convicção;
firmeza na execução de um compromisso;
crédito;
confiança;
intenção;
virtude teologal.


dar -: dar tento, acreditar, ver;
empenhar a -: dar a palavra;
fazer -: outorgar certeza;
– púnica: deslealdade, perfídia.

É claro perceber que a fé não é a conseqüência (ou causa) da religião, e sim da própria essência criativa e evolutiva do homem. As descobertas científicas partem de um pressuposto (normalmente uma inspiração) que deverá ser comprovado utilizando-se de metodologias cientificamente aceitas. Mas até que isto seja comprovado, você estará lidando com a convicção e intenção do cientista. Desta forma, é ingenuidade separar a fé da ciência, pois esta sempre parte daquela para alcançar uma descoberta.

Mais ingênuo ainda é acreditar que a ciência deve submeter-se à religião. Como se Deus, criador de todo o universo e as suas leis, não tivesse previsto a evolução da ciência entre os “zilhões” de planetas habitados por seres inteligentes. Como se a ciência fosse um caminho diferente daquele previsto por Deus para nós, ou como se as leis e novas possibilidades que a ciência desvenda a cada dia fossem “coisas” escondidas por um suposto Deus maquiavélico. Ora bolas…

Atualmente existem inúmeras doutrinas com fortes aspectos religiosos que não abrem mão de uma explicação científica para o universo, da mesma forma que aumenta a cada dia a quantidade de cientistas que percebem Deus através das leis e corolários que desvendam.

Quando daremos voz a estas pessoas? Talvez as poucas realmente aptas a praticar uma ciência com ética e que respeite a vida antes de qualquer especulação.

Última revisão: 03/06/2008.