Cético: quem realmente o é?

15-junho-2008

É comum encontrarmos pessoas afirmando que são céticas em relação a um determinado tema, especialmente aqueles que envolvem o paradigma espiritual. Mas o que realmente significa ser um cético?

O dicionário Priberam define o cético como um “indivíduo descrente ou que duvida de tudo”. Mas em que consiste duvidar de tudo? A descrença não seria a crença inversa? Ou seja, a crença de que algo não é possível? O descrente também crê, só que é uma crença na antítese do pressuposto, o que nos permite facilmente perceber que a palavra esconde em si um paradoxo, talvez uma verdadeira armadilha para o ego.

Outro aspecto interessante é analisar o que consiste ser alguém que duvida de tudo. Para duvidar eu preciso ter alguma certeza, preciso ter alguma crença de que algo é impossível, desta forma, é impossível duvidar sem que exista algum paradigma para se “amarrar”. Quem duvida de tudo, em verdade, duvida de tudo “que foge ao paradigma em que se vive”.

Neste sentido, ser um cético é viver em um paradoxo. É acreditar que é possível ser um descrente sem acreditar em algo, sem perceber que a própria descrença é o resultado do movimento em torno de uma outra forma de crer.

Por isso, alguém que se apresenta como cético – possivelmente – ainda não identificou o paradigma em que ele próprio vive. Posto isto, a pergunta que deixo para reflexão é a seguinte: Como ser imparcial se não conhecemos o paradigma em que estamos imersos?