Uma questão de tempo… e ética…

2-outubro-2008

Notícia divulgada na Folha de São Paulo de 12/09/2008 [1], demonstra mais uma vez que era apenas uma questão de tempo… e de ética…

Cientistas do Hospital Universitário Ziekenhuis de Bruxelas dizem ter conseguido extrair células-tronco embrionárias sem destruir o embrião.

Parabéns para estes cientistas! Provou-se que se pode realizar pesquisas sérias com células tronco e manter a ética, sem a necessidade de descartar vidas.

Impressionou-me também o teor do comunidado emitido pelo hospital onde a pesquisa foi realizada:

Este progresso pode ter conseqüências positivas para países onde, por razões éticas, extrair células-tronco esteja proibido. [Grifo nosso]

É interessante meditarmos um pouco a respeito do que foi dito, especialmente no trecho grifado.

Notas e Referências

[1] – EFE. Hospital belga diz ter extraído células-tronco sem danificar embriões. Folha de São Paulo, 12/09/2008. Acessado em 02/10/2008.


Cético: quem realmente o é?

15-junho-2008

É comum encontrarmos pessoas afirmando que são céticas em relação a um determinado tema, especialmente aqueles que envolvem o paradigma espiritual. Mas o que realmente significa ser um cético?

O dicionário Priberam define o cético como um “indivíduo descrente ou que duvida de tudo”. Mas em que consiste duvidar de tudo? A descrença não seria a crença inversa? Ou seja, a crença de que algo não é possível? O descrente também crê, só que é uma crença na antítese do pressuposto, o que nos permite facilmente perceber que a palavra esconde em si um paradoxo, talvez uma verdadeira armadilha para o ego.

Outro aspecto interessante é analisar o que consiste ser alguém que duvida de tudo. Para duvidar eu preciso ter alguma certeza, preciso ter alguma crença de que algo é impossível, desta forma, é impossível duvidar sem que exista algum paradigma para se “amarrar”. Quem duvida de tudo, em verdade, duvida de tudo “que foge ao paradigma em que se vive”.

Neste sentido, ser um cético é viver em um paradoxo. É acreditar que é possível ser um descrente sem acreditar em algo, sem perceber que a própria descrença é o resultado do movimento em torno de uma outra forma de crer.

Por isso, alguém que se apresenta como cético – possivelmente – ainda não identificou o paradigma em que ele próprio vive. Posto isto, a pergunta que deixo para reflexão é a seguinte: Como ser imparcial se não conhecemos o paradigma em que estamos imersos?


Embriões: uma questão de ética e não de religião ou ciência

2-junho-2008

No processo de legalização “plena” do uso de células para a pesquisa científica, foi comum a mídia associar que estava em campo uma disputa entre a religião e a ciência, entre a fé e a razão.

A mídia fugiu de um cenário ponderado e equilibrado e situou-se nos extremos. Mostrou de um lado religiosos fanáticos e do outro seres humanos com algum tipo de paralisia clamando pela esperança sofrida de um dia retornarem os movimentos de algum membro do corpo.

Falou-se muito pouco da ética e moral, da quantidade de embriões necessários para uma inseminação artificial, se de fato as células representam a possibilidade de cura para as mazelas humanas e de quando – de fato – a vida de um ser humano inicia. Tudo isso justificado por um suposto atraso científico que poderia arruinar o Brasil. Como se não houvessem outros tantos atrasos que constantemente nos assolam.

Pois bem, mas o que realmente chamou a minha atenção foi esta “cruzada” da mídia em torno do tema. Colocando a fé de um lado do ringue e a ciência do outro.

O dicionário Priberam define fé como (link):

do Lat. fide, confiança

s. f.,
crença religiosa;
crença, convicção em alguém ou alguma coisa;
convicção;
firmeza na execução de um compromisso;
crédito;
confiança;
intenção;
virtude teologal.


dar -: dar tento, acreditar, ver;
empenhar a -: dar a palavra;
fazer -: outorgar certeza;
– púnica: deslealdade, perfídia.

É claro perceber que a fé não é a conseqüência (ou causa) da religião, e sim da própria essência criativa e evolutiva do homem. As descobertas científicas partem de um pressuposto (normalmente uma inspiração) que deverá ser comprovado utilizando-se de metodologias cientificamente aceitas. Mas até que isto seja comprovado, você estará lidando com a convicção e intenção do cientista. Desta forma, é ingenuidade separar a fé da ciência, pois esta sempre parte daquela para alcançar uma descoberta.

Mais ingênuo ainda é acreditar que a ciência deve submeter-se à religião. Como se Deus, criador de todo o universo e as suas leis, não tivesse previsto a evolução da ciência entre os “zilhões” de planetas habitados por seres inteligentes. Como se a ciência fosse um caminho diferente daquele previsto por Deus para nós, ou como se as leis e novas possibilidades que a ciência desvenda a cada dia fossem “coisas” escondidas por um suposto Deus maquiavélico. Ora bolas…

Atualmente existem inúmeras doutrinas com fortes aspectos religiosos que não abrem mão de uma explicação científica para o universo, da mesma forma que aumenta a cada dia a quantidade de cientistas que percebem Deus através das leis e corolários que desvendam.

Quando daremos voz a estas pessoas? Talvez as poucas realmente aptas a praticar uma ciência com ética e que respeite a vida antes de qualquer especulação.

Última revisão: 03/06/2008.