Embriões: uma questão de ética e não de religião ou ciência

2-junho-2008

No processo de legalização “plena” do uso de células para a pesquisa científica, foi comum a mídia associar que estava em campo uma disputa entre a religião e a ciência, entre a fé e a razão.

A mídia fugiu de um cenário ponderado e equilibrado e situou-se nos extremos. Mostrou de um lado religiosos fanáticos e do outro seres humanos com algum tipo de paralisia clamando pela esperança sofrida de um dia retornarem os movimentos de algum membro do corpo.

Falou-se muito pouco da ética e moral, da quantidade de embriões necessários para uma inseminação artificial, se de fato as células representam a possibilidade de cura para as mazelas humanas e de quando – de fato – a vida de um ser humano inicia. Tudo isso justificado por um suposto atraso científico que poderia arruinar o Brasil. Como se não houvessem outros tantos atrasos que constantemente nos assolam.

Pois bem, mas o que realmente chamou a minha atenção foi esta “cruzada” da mídia em torno do tema. Colocando a fé de um lado do ringue e a ciência do outro.

O dicionário Priberam define fé como (link):

do Lat. fide, confiança

s. f.,
crença religiosa;
crença, convicção em alguém ou alguma coisa;
convicção;
firmeza na execução de um compromisso;
crédito;
confiança;
intenção;
virtude teologal.


dar -: dar tento, acreditar, ver;
empenhar a -: dar a palavra;
fazer -: outorgar certeza;
– púnica: deslealdade, perfídia.

É claro perceber que a fé não é a conseqüência (ou causa) da religião, e sim da própria essência criativa e evolutiva do homem. As descobertas científicas partem de um pressuposto (normalmente uma inspiração) que deverá ser comprovado utilizando-se de metodologias cientificamente aceitas. Mas até que isto seja comprovado, você estará lidando com a convicção e intenção do cientista. Desta forma, é ingenuidade separar a fé da ciência, pois esta sempre parte daquela para alcançar uma descoberta.

Mais ingênuo ainda é acreditar que a ciência deve submeter-se à religião. Como se Deus, criador de todo o universo e as suas leis, não tivesse previsto a evolução da ciência entre os “zilhões” de planetas habitados por seres inteligentes. Como se a ciência fosse um caminho diferente daquele previsto por Deus para nós, ou como se as leis e novas possibilidades que a ciência desvenda a cada dia fossem “coisas” escondidas por um suposto Deus maquiavélico. Ora bolas…

Atualmente existem inúmeras doutrinas com fortes aspectos religiosos que não abrem mão de uma explicação científica para o universo, da mesma forma que aumenta a cada dia a quantidade de cientistas que percebem Deus através das leis e corolários que desvendam.

Quando daremos voz a estas pessoas? Talvez as poucas realmente aptas a praticar uma ciência com ética e que respeite a vida antes de qualquer especulação.

Última revisão: 03/06/2008.